Rui Rasquilho: é urgente ocupar os espaços datados dos séculos 17 e 18

Rui Rasquilho. Foto: Radio Cistér Rui Rasquilho chamou, este fim-de-semana, a atenção para a necessidade de ocupar rapidamente os espaços datados dos séculos 17 e 18 do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça


A preocupação pela degradação foi manifestada durante uma visita guiada ao Monumento que o Director do Monumento ofereceu à recém criada Associação de Amigos de Alcobaça, cujo objectivo é ajudar na manutenção do Património classificado pela UNESCO, nomeadamente através da angariação de mecenas que subsidiem as obras de conservação e restauro


O Presidente da Associação, Jorge Vasco, aproveitou para pedir mais sócios que colaborem nesta missão pelo Património Cultural


O Relicário, uma das peças já disponíveis nas visitas dos turistas ao Mosteiro, foi recentemente alvo de obras de restauro com a ajuda financeira de duas empresas (madeireira e banca) de Alcobaça. A angariação de mecenas para o Património foi, desde a primeira hora, anunciada como prioridade da Direcção do Mosteiro.

In: www.cister.fm

Câmara de Alcobaça apresentou modelo para a rentabilização do Mosteiro

“A Câmara de Alcobaça apresentou no IPPAR o modelo que considera mais eficaz para a rentabilização do Mosteiro de Santa Maria.

Gonçalves Sapinho, que não revela as sugestões que deu ao Presidente do Instituto que tutela o património classificado, defende, no entanto, no documento entregue, que existem poucas soluções rentáveis e com boas hipóteses de financiamento para a ocupação do espaço antes ocupado pelo Lar Residencial.

A Rádio Cister avançou que o Tsunami na Ásia afastou temporariamente um grupo financeiro, com capitais árabes e alemães, do Mosteiro de Alcobaça onde quase concretizou a abertura de um Hotel de Luxo.

De acordo com o Director do Monumento, Rui Rasquilho, o grupo estrangeiro, ligado a várias cadeias de hotéis espalhados no mundo, continua interessado em Alcobaça mas direccionou toda a sua atenção no curto prazo para a recuperação dos milhões de prejuízos que sofreu na Ásia com o Tsunami de Dezembro de 2004.

A Câmara defende como solução para rentabilizar o Mosteiro a instalação de uma Pousada VIP e de um grande auditório, admitindo ainda outros serviços ligados à cultura, à educação e à investigação.

O Presidente da C.M.A. não quis pronunciar-se sobre a retirada do grupo financeiro dos interessados em explorar um negócio dentro do Mosteiro Cisterciense, o maior e mais bem conservado da Europa. O autarca afirmou à Rádio Cister que é legítimo que se defendam inúmeras saídas para o Mosteiro, mas o problema é “encontrar a solução” indicada para aquela espaço no centro da cidade”.

In www.cisterfm.pt

Foto Ray Lehmann’s

Alcobaça (cidade) tem uma macrocefalia chamada Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. A evolução histórica transportou até aos nossos dias o maior mosteiro do país e um dos maiores da Europa. O povoado foi cercando o mosteiro e, à medida que este perdia importância, cresceram as indefinições quanto ao que poderia ser o mosteiro no futuro. Esse debate é hoje mais forte e intenso, deve ser encarado como um desafio e nunca como um problema. Este mosteiro macrocéfalo é um legado histórico e um referencial de desenvolvimento para o futuro, com todos os constrangimentos inerentes mas, principalmente pelas suas potencialidades. Um pormenor fundamental e prévio a tudo aquilo que gostaria de partilhar convosco… Qual a estratégia e a importância atribuída pelos decisores ao capital humano?

Da resposta a esta questão desenvolve-se a minha adesão a qualquer projecto. Que me interessa a ideia mais fantástica, se depois não há capacidade para colocar uma, duas, três pessoas a trabalhar no local. Apesar disso não me inibo de apresentar propostas sem ponderação de factores mas, se atentarem, quase todas as ideias que aqui apresento não são soluções megalómanas e irresolúveis. À medida que o debate crescer irão surgir propostas mais ou menos exequíveis, mais ou menos focalizadas. Daquilo que já surgiu pergunto: será pragmático querer um Museu da Língua Portuguesa ou da CPLP se não tenho um espaço de conhecimento sobre a História do Mosteiro e dos Coutos de Alcobaça? Que nos interessa a nós, nesta fase, ter um museu de Cistér em Portugal se o mosteiro nem sequer reconquistou a sua centralidade no espaço dos antigos coutos?Vamos então por partes e trilhando um caminho seguro, sustentável, através de parcerias direccionadas rigorosamente para o fundamental:

– Valor Histórico e Cultural;

– Captação e Formação de capital humano (IQ magnet);

– Rentabilização económica e projecção radial de resultados; 

Equipamentos públicos e privados, serviços culturais e turísticos, ensino e fruição terão de ser realidades que funcionem em consonância. Para que tal aconteça teremos de ser inovadores na forma como os espaços são geridos atendendo ao quadro legal pouco flexível e centralizador. O desafio não pode ser um problema. Alcobaça não poderá cometer erros quanto ao Mosteiro, pois seriam absolutamente comprometedores quando deparamos com um futuro que nos é, cada vez mais, periférico.

Ideias fortes para o exterior: Cluster do Património Mundial, Afirmação do território dos Coutos de Alcobaça com o Mosteiro como referência, Afirmação da centralidade na futura Rota Nacional de Cistér.

Ideias fortes para o interior do Mosteiro: Welcome Center, Espaço Património Mundial, Centro Municipal do Conhecimento, Museu do Mosteiro de Alcobaça.


A Refundação

A importância do debate, que terá de surgir em Alcobaça, sobre o Mosteiro exige o envolvimento de todos. Opiniões mais ou menos técnicas poderão ser contributos valiosos para o enriquecimento daquele que é o tema mais aliciante de Alcobaça nos últimos anos. O meu contributo começa nestes textos que espelham ideias e conceitos, mas também as limitações de quem se envolve, num gosto a tempo inteiro, com um trabalho a tempo parcial. No entanto procuro pontos de debate baseados em ambições que não são estratosféricas e que se centram no fulcral: o Mosteiro e os seus Coutos. Futuro com Passado.

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